Entrevista Esquerda Diário

esquerda diário

Fábio Nunes – Sempre peço para x entrevistadx se apresentar…

Paloma Franca Amorim – Escrevo há cerca de dez anos em uma coluna literária semanal do jornal O Liberal, de Belém do Pará. Sou professora de teatro formada pela Universidade de São Paulo e trabalho principalmente com educação e núcleos de música e artes cênicas, são eles o grupo de samba Sambadas e o coletivo de arte e cultura feminista Vulva da Vovó.

Fabio Nunes – Fale sobre o seu livro “Eu preferia ter perdido um olho”

Paloma Franca Amorim – O livro é a união de alguns contos/crônicas que publiquei ao longo dos últimos dez, onze anos. Eu já tinha o desejo de publicar um livro desde que me descobri escritora, na infância, mas essa possibilidade só ocorreu de fato em São Paulo a partir de uma proposta do Haroldo Ceravolo Sereza, meu editor. Ele leu alguns textos meus e meses depois entrou em contato para saber se eu tinha interesse em lançar o livro. Todo o processo editorial demorou mais ou menos uns dois anos para se consolidar, por todos os percalços existentes no mercado e no país hoje, mas foi um tempo fundamental para que pudéssemos nos dedicar cuidadosamente à organização e conceituação do material.

Fabio Nunes – O livro é um trabalho corajoso, aborda temas delicados e profundos. Comente.

Paloma Franca Amorim – Eu acho que não poderia ser diferente. Acho que a linguagem literária, a arte em geral, deve refletir os próprios tempos… Mais do que isso: deve propor saídas a partir dessas interpretações… Frestas, respiros. Quando eu escrevo sobre estupro, sobre a condição das mulheres, dos trabalhadores, da sociedade (mesmo que na régua do fantástico) eu tento elaborar essas vivências e compartilhar delas o que importa à transformação.

Fabio Nunes – As pessoas da “Cidade Alta” seguem explorando e oprimindo. Qual o papel da arte neste barulho todo?

Paloma Franca Amorim – Eu acredito que além dos contextos materiais, a criação e o pensamento também são territórios de disputa. Quando uma pessoa aprende a ler, em alguma medida, ela começa a perceber coisas do mundo que antes não via. Infelizmente, neste século e em tantos outros, a palavra é um poder, então devemos nos valer dela da forma mais libertária possível. A arte me parece operar nesse sentido… Pelas vias da sensibilidade, da experimentação, da metáfora, conseguimos produzir e acessar discursos nos quais nos reconhecemos como agentes do mundo, como partes desse processo intenso que é o social, o político, o simbólico. A arte é o meu machado da justiça, cabeças podem rolar, corpos podem renascer, estradas podem se abrir no peito das cidades. A beleza e a violência são puro invento, capazes de modificar mentalidades.

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